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Clique em "+" (aproximar) e "-" (afastar), e veja os velhos currais do Rio Grande do sul feitos de terra, pedra e plantas. Imagens de satélite: Google Earth / Pesquisa e edição: Bruno Farias

Clique aqui e leia a reportagem "GEOGLIFOS GAÚCHOS" no site da Revista de História da Biblioteca Nacional sobre as misteriosas estruturas anelares encontradas no Rio Grande do Sul
Veja também o artigo "OS GEOGLIFOS DO RIO GRANDE DO SUL" que deu origem à reportagem no site da Revista de História da Biblioteca Nacional

MEMÓRIAS LEONENSES: personagens, lugares históricos e lendas de Capão do Leão/RS

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Clique nos links abaixo para acessar os CAPÍTULOS
- Introdução: um apanhado geral sobre alguns dos diversos períodos históricos pelos quais passou o atual território leonense
- Cap. 1 - Os geoglifos de Capão do Leão: saiba mais sobre as gigantescas estruturas de terra com até 120 metros de diâmetro que estão intrigando pesquisadores e que muitos moradores contam terem sido antigas mangueiras para contenção de gado, feitas por escravos numa época na qual ainda não existiam arames de metal no Rio Grande do Sul
- Cap. 2 - A casa onde viveu Hipólito José da Costa: conheça a propriedade onde o patrono da imprensa brasileira passou parte de sua infância e adolescência antes de se tornar um dos principais responsáveis pela fomentação do movimento em prol da independência do Brasil
- Cap. 3 - A cerca de pedra: que, segundo relatos, teria sido feita pelos escravos; e a casa de pedra que pode ter pertencido a Rafael Pinto Bandeira
- Cap. 4 - O Túmulo do Enforcado: que muitos acreditam realizar milagres e que é reverenciado pelos moradores há pelo menos 100 anos, mesmo que ninguém saiba direito quem ele foi

... e os EXTRAS...
- Mapas: Confira em alta definição os registros cartográficos usados como fonte pro MEMÓRIAS LEONENSES
- Depoimentos: ouça o que os moradores contam sobre alguns lugares históricos e lendas de Capão do Leão
- Faça seu relato: Saiba aqui como você pode enviar seu depoimento gravado via microfone ou webcam para o MEMÓRIAS LEONENSES
- Referências: Conheça as fontes usadas para a produção do MEMÓRIAS LEONENSES e acesse suas versões eletrônicas com um click
- Fotos: Nesta página você acessa os álbuns de fotos do MEMÓRIAS LEONENSES, individuais para cada capítulo. A medida que cada capítulo for sendo lançado, seu álbum de fotos correspondente será publicado também
Fotos do capítulo 1 - Os Geoglifos de Capão do Leão
Fotos do capítulo 2 - A casa onde viveu Hipólito José da Costa
Fotos do capítulo 3 - A cerca de pedra da época dos escravos
Fotos do capítulo 4 - O Túmulo do Enforcado

Em breve estaremos publicando os próximos capítulos:
- A ferrovia das pedreiras usada para transportar os blocos de granito utilizados na construção dos Molhes da Barra, em Rio Grande/RS
- Obeliscos da I e da II Guerra Mundial, os de pedra monumentos que marcaram em Capão do Leão o final desses conflitos
- A Mesa de Pedra, um marco de concreto construído em 1949 pelo exército que hoje está abandonado no topo da Serra do Pavão
- A Gruta do Miguel, caverna que serviu de esconderijo para um bando de ladrões de gado na década de 1950
- O Horto Florestal, local próximo ao centro de Capão do Leão que na década de 1950 recebia a visita de turistas mas que hoje está abandonado
- Pedra da Bandeira, formação rochosa implodida na década de 1970 que é um dos símbolos do município e que até hoje deixa saudades
- Homenagem aos graniteiros, estátua que é um tributo a essa profissão tão importante para o desenvolvimento da cidade
- Busto de Elberto Madruga, a homenagem a este que foi o primeiro prefeito de Capão do Leão
- Estátua do Leão, outro símbolo do município que remete a uma época na qual existiram pumas e até onças na região

Aguarde... Estamos buscando novas documentações para adicionar aos próximos capítulos do
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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

OS GEOGLIFOS DE CAPÃO DO LEÃO


CLIQUE NO TEXTO PARA VÊ-LO NO SITE COM REFERÊNCIAS E IMAGENS :

Visíveis até do espaço, centenas de anéis de terra no sul do país abrem um mistério sobre suas verdadeiras origens e funções. Com até 120 metros de diâmetro e presentes em diversas cidades do Rio Grande do Sul, estas estruturas seriam cercas feitas por escravos com torrões de terra no início da colonização, segundo alguns moradores locais. Nas mesmas rotas onde elas estão localizadas, entre Pelotas e Dom Pedrito, também existem mangueiras de pedra circulares com as mesmas proporções, velhas conhecidas da cultura gaúcha. Mas mesmo assim há quem cogite a possibilidade destas construções, apelidadas de geoglifos por serem melhor visualizadas do alto, terem raízes mais profundas, remontando à pré-história.
As taipas de pilão, feitas com torrões de argila prensados, eram comuns no Brasil colonial. Também se sabe que os currais de pau-a-pique com esse tamanho costumavam ser utilizados para marcação de gado, conforme conta o autor uruguaio Aníbal Barrios Pintos em seu livro “De las vaquerias al alambrado” (Ediciones Del Novo Mundo, 1967). E no Uruguai e em Santa Vitória do Palmar/RS, alguns desses círculos cercados de árvores que já haviam sido citados em 1820 por Auguste Saint-Hilaire foram documentados como “currais de palmas”. Segundo Pintos e os historiadores André Oliveira e Cláudia Teixeira, depois de cavadas as valas, eram transplantadas mudas de palmeiras, que tinham os espaços entre elas fechados com tiras de couro. Ao ver imagens das supostos cercados, Oliveira concordou com a versão contada pelos moradores: “Essas estruturas se parecem com os Currais de Palmas encontrados nesta região onde é peculiar a palmeira Butiá capitata. Realmente devem ser encerras, ou seja, currais. No caso de serem de terra deve-se analisar melhor as elevações, provavelmente realizadas por escravos”. O pesquisador estima a idade dessas construções em aproximadamente 200 anos, mesma opinião do professor Joaquim Dias, formado em História e expert na história da cidade de Capão do Leão, que diz que “a época pode se situar desde 1780 até 1900, ou seja, é muito tempo”.
Os arames de metal só chegaram ao estado na década de 1870. Antes disso, as cercas eram feitas com muros de pedra ou com outros materiais como valas cavadas no chão, madeira beneficiada, ananás, bananeiras, pessegueiros e outras árvores frutíferas, bromélias, espinheiros, cana, cactus e até de pau-a-pique. Diferentes fontes falam das rotas usadas para transporte de vacas, cavalos e mulas passando por essa região já a partir do século XVIII, e foi encontrada em um antigo inventário menção a uma Estrada Real passando pelo local ainda no século XIX. Além dos relatos de diversos moradores que chamam a Estrada do Passo dos Carros entre Capão do Leão e Pelotas, onde estão localizados alguns desses enormes círculos, de “Corredor das Tropas”.
Existem também inúmeras citações dos currais sendo usados pelos colonizadores da região durante o século XVIII, na época da preia do gado cimarrón, antes pertencente aos jesuítas. Segundo mapas antigos e outras referências, os tropeiros que transportavam esses animais realmente passavam por ali, além de fotos e textos situarem algumas dessas mangueiras de pau-a-pique e de pedra nos atuais municípios gaúchos de Pelotas, Capão do Leão, Aceguá, Bagé e em outras cidades próximas. Porém, mesmo sendo tão faladas, é raro encontrar referências visuais sobre os tais cercados, o que mantém o assunto misterioso.
Apesar de tudo isto bater com a teoria dos anéis de terra como antigas encerras, eles também podem ter sido construídos por povos nativos. Nesse caso a tradição popular que fala das estruturas anelares no Rio Grande do Sul poderia estar equivocada ou simplesmente incompleta, assim como aconteceu com os geoglifos do Acre. Lá, pensava-se que eles seriam “trincheiras da Revolução Acreana”, porém a hipótese ficou defasada quando arqueólogos descobriram que foram povos pré-históricos os autores daquelas construções.
Diferente do que correntes mais antigas da arqueologia defendiam quando se referiam aos indígenas pré-colombianos como “pequenos grupos nômades que quase não causavam impacto no ambiente onde viviam”, essas pessoas podem ter mobilizado suas sociedades para a construção de fortificações, caminhos elevados, currais de pesca, monumentos funerários e centros cerimoniais, entre outras funções atribuídas pelos especialistas a essas estruturas de terra. É o que conta Charles Mann em seu livro “1491: Novas revelações das Américas antes de Colombo” (Ed. Objetiva, 2005). Exemplos disso são os mounds da América do Norte, os geoglifos do Acre, os cerritos e sambaquis do litoral sul/sudeste do Brasil, as elevações artificiais existentes no estado boliviano de Beni, e as antigas estradas e aldeias cercadas de fossos nas proximidades do rio Xingu, em Mato Grosso, entre outros.
Rodrigo Aguiar, co-autor do livro “Geoglifos da Amazônia - Perspectiva Aérea” (Faculdades Energia, 2005), fala sobre o método de construção das formas geométricas do Acre: “cortes são escavados, e a terra extraída é, cuidadosamente, depositada ao lado do sulco, formando figuras em alto e baixo relevo”. Aguiar viu imagens dos anéis de terra do extremo-sul gaúcho e disse estar convencido de que alguns deles também podem ser pré-históricos. Assim como o arqueólogo Fábio Vergara Cerqueira: “Pensei muito nesta hipótese quando vi as fotografias. Na medida em que se descobrem geoglifos no Acre, existe igualmente a possibilidade de geoglifos em nossos campos”.
André Prous relatou em seu livro “O Brasil antes dos brasileiros” (Jorge Zahar Editor, 2006) que as formas geométricas escavadas no território acreano, “muito parecidas com as assinaladas no Rio Grande do Sul, associadas à Cultura Taquara/Itararé, são em geral interpretadas pelos arqueólogos como estruturas defensivas e apresentam um fosso largo”, referindo-se àquelas já estudadas no norte/nordeste do estado. Esses sítios arqueológicos classificados como “estruturas anelares” têm entre 20 e 170 metros de diâmetro e também existem no Paraná, em Santa Catarina e até na Argentina.
É possível acreditar que eles sejam similares aos de Capão do Leão e outras cidades próximas se os compararmos a uma ilustração reproduzida por Letícia Morgana Müller em sua dissertação de mestrado “Sobre ossos e índios” (PUC/RS, 2008). O desenho mostra um dos anéis de terra citados por Prous com uma borda idêntica às dos geoglifos do extremo-sul. Mas Ana Maria Rüthschlling apimenta ainda mais a discussão ao relembrar em “Pesquisas arqueológicas no baixo rio Camaquã” (UNISINOS, 1989) que a cultura Taquara seria intrusiva na região de Pelotas. Isso poderia enfraquecer a hipótese dos geoglifos em questão serem resquícios desse povo, já que seria necessário mobilizar um bom número de pessoas para se produzir tal tipo de benfeitoria.
Ou seja: ainda há muito o que se estudar antes que se possa chegar a uma conclusão definitiva sobre os geoglifos do sul/sudoeste do Rio Grande do Sul. Até lá, a dúvida continua em aberto. Quanto tempo irá demorar até que todas essas estruturas anelares sejam escavadas e tenham suas verdadeiras funções e idades reveladas? Talvez muitos anos. Mas elas continuarão lá, inertes e silenciosas, à espera de alguém interessado em trazer à tona sua verdadeira origem.

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